Metodologia e rigor

O processo se dosa — e fala a sua língua

Trocar um rótulo de botão e reescrever o motor de cobrança não merecem a mesma cerimônia. E um time que fala em sprint e story points não deveria ter que traduzir tudo para adotar uma ferramenta. O Spaccy tem dois controles para isso, e eles são independentes.

Eixo vertical

Rigor — quanta cerimônia

Lean, Standard ou Strict. Calibra a profundidade da análise, quantas lentes o review usa e quais verificações entram — pelo risco do que está em jogo.

Eixo horizontal

Metodologia — qual língua

Standard, Agile ou Enterprise. Troca o vocabulário, os artefatos, o agrupamento e a tela que o cockpit abre — para bater com o processo que o time já roda.

São ortogonais: um time ágil pode subir para Strict numa feature de pagamento sem deixar de falar em story e sprint. Escolher um não amarra o outro.

O eixo vertical

Três níveis de rigor, cumulativos

O mesmo conjunto de comandos, com mais ou menos profundidade. Cada nível contém o anterior — subir nunca troca uma verificação por outra, só acrescenta.

Lean

CRUD, ajuste, correção de baixo risco

O essencial e nada mais: a intenção, os critérios de aceitação e o review estrutural. As seções de análise profunda, matriz de risco e verificação cruzada ficam de fora — não porque não importam, mas porque para trocar um label elas custam mais do que valem.

no reviewReview estrutural

Standardpadrão

O trabalho do dia a dia

O equilíbrio padrão: proposta completa, especificação com invariantes e rastreabilidade, review em três lentes independentes — estrutural, caçador de casos-limite e detector de lacuna de verificação. É o nível em que a maioria das features nasce.

no review+ casos-limite, lacuna de verificação

Strict

Pagamento, dado sensível, o que não pode falhar

Tudo do Standard mais a lente adversarial: o revisor assume que o código está errado e tenta provar. Para cada critério de aceitação, procura o caminho que o viola. Entram também as seções de ameaça, privacidade e rastreabilidade completa requisito → teste.

no review+ lente adversarial

Tela de configuração do Studio com os três níveis de rigor como botões — Lean, Standard e Strict — e a lista do que fica habilitado em cada um.Tela de configuração do Studio com os três níveis de rigor como botões — Lean, Standard e Strict — e a lista do que fica habilitado em cada um.
A escolha real: três botões, não um documento de convenção que ninguém lê.

O eixo horizontal

Três metodologias, um produto só

Metodologia não é um tema de cores: muda o comando com que você especifica, o nome de cada artefato, o que é agrupado por quê e a tela em que o cockpit abre. Tudo isso é configuração — nenhuma linha do produto muda.

AspectoStandardAgileEnterprise
Você especifica com/proposal/story/proposal
A unidade se chamaFeature · FaseStory · IncrementoRFC · Work item
Agrupamento temáticoTema (desligado)EpicCapability
Agrupamento temporalMilestoneSprint (2 semanas)Program Increment
Backlog priorizado por— (desligado)MoSCoWWSJF
Estimativa— (desligada)Story points (Fibonacci)Esforço (camiseta)
O cockpit abre emListaKanban + velocidadeRastreabilidade + compliance
Rigor que vem juntoStandardLeanStrict

Cada metodologia é um arquivo de configuração que herda de outra e liga ou desliga papéis — criar a sua custa um arquivo, não um fork. O rigor da última linha é apenas o ponto de partida: os dois eixos continuam independentes.

O que muda para o time

A ferramenta se adapta ao time — não o contrário

O cockpit fala a língua da sua cerimônia

Num time ágil o painel abre em kanban, com velocidade e story points; num time enterprise, em matriz de rastreabilidade e compliance. Não é tema visual: é a unidade de trabalho, o agrupamento e a métrica mudando junto. Ninguém precisa traduzir "fase" para "sprint" de cabeça na reunião.

Ninguém aprende um vocabulário novo

O que o time já chama de story continua story — nos artefatos, no cockpit e nos comandos. Adotar o Spaccy deixa de custar uma migração de linguagem, que é onde a maioria das ferramentas de processo morre: o time volta ao vocabulário antigo em duas semanas e a ferramenta vira teatro.

As cerimônias ganham comando próprio

A daily sai pronta do repositório — ontem, hoje e bloqueios lidos do git e do histórico, não da memória de cada um. Uma incerteza técnica vira experimento com prazo fechado, que reporta o achado e não gera especificação nenhuma. O ritual deixa de depender de quem lembrou de preparar.

/standup/spike

A convenção é do time; a preferência é sua

O nível de rigor tem três camadas de configuração: o padrão do produto, a convenção do time — versionada em git, revisada em code review como qualquer arquivo — e a sua preferência pessoal, que fica na sua máquina e não vai para o repositório. Discordar do time não exige convencer o time.

O que muda para os agentes de IA

O agente recebe o contrato certo, sem prompt diferente

A dosagem não é um pedido educado ao modelo — é a instrução que ele recebe mudando de tamanho. O agente não decide o próprio rigor.

Uma fonte só de instruções, dosada por marcação

Não existe uma versão ágil e outra enterprise de cada comando para manter em sincronia — existe uma, com cada seção marcada pelo nível em que entra. Subir ou descer o rigor liga e desliga trechos da mesma instrução. É o que evita o destino comum desse tipo de sistema: três variantes divergindo em silêncio até nenhuma estar certa.

Os níveis são cumulativos, nunca alternativos

Strict contém Standard, que contém Lean. Subir o rigor só acrescenta — nunca troca uma verificação por outra. Você pode subir o nível de uma feature crítica sabendo que nada que já era verificado deixou de ser.

Trocar de metodologia não reescreve o pipeline

A especificação — venha de uma proposta formal ou de uma user story — emite o mesmo contrato de intenção. O resto do caminho (especificar, implementar, revisar) lê o contrato e não sabe de qual origem veio. É por isso que a metodologia é um arquivo de configuração e não um fork do produto.

O dial não desce onde desligar custaria correção

Seis motores são imunes ao nível de rigor: os que rotacionam histórico, reorganizam módulos, preparam ambiente, criam branch de sessão e removem código obsoleto. São exatamente os que escrevem por cima de trabalho existente — neles, "mais leve" significaria "sem a verificação que impede perda". Rigor dosa cerimônia, nunca segurança.

Os dois eixos vêm configurados em Standard — se você não mexer em nada, é isso que roda. Peça acesso antecipado e ajuste quando o trabalho pedir.